Meu pai não me ligou, assim como eu não liguei a ele. Ligar pra quê? Queríamos mesmo era ter alguma notícia, algum conforto, saber se ele iria correr no domingo. Correr no domingo?!
Me lembro do acidente de Senna, época em que era um baladeiro de 15 anos, e dormia no sofá logo depois das largadas. Meu pai, com pena, me mandava voltar para o quarto, já eu, teimoso, ali ficava. Naquele sábado, havia frisado que meu pai me acordasse para a corrida, e acordei “atrasado” e puto. Ainda do andar de baixo de nosso apartamento, gritei bravo “por que você não me acordou??”. Corri aqui, o Senna bateu forte e acho que é sério, dizia ele. Por alguns minutos, ainda estava mais puto com meu pai do que preocupado com o Senna.
Neste sábado, assistindo o treino pela internet, abri um post neste blog no intuito de escrever algumas palavras, e me descobri mudo. Entendi, salvas as proporções (claro), como é difícil narrar momentos como estes, principalmente para aqueles que tenham alguma proximidade com o acidentado. Enquanto as imagens se repetiam aqui no Brasil, por mais que a narração não às acompanhasse, no fundo eu sabia que Massa havia desmaiado bem antes da primeira curva. Burti, narrava confortos pouco fundados como: bateu freiando, a barreira de pneus está ilesa. Naquele momento, até serviram como um alento. Tenho certeza que o comentarista pensava na família de Felipe, que assistia pela televisão.
Imagino que como eu, a maioria de vocês esteja preocupada com a posição de Massa no campeonato, com a capacidade de que ele volte logo para não perder sua vaga neste ano, enciumado com as conversas de que Schumacher poderia assumir seu lugar, ou mesmo Alonso. É muito difícil assumir a gravidade dos fatos, e como colocado muito bem pelo Piquet Pai, este quase campeão do mundo pode nunca mais ter a chance do reconhecimento de seu trabalho.
Este texto não vem apenas “orar” pelo piloto brasileiro, e sim dividir uma reflexão de que, acima de todas as nossas vontades, o importante é que Massa fique bem. Correr ou não, é agora destino, e pouco importante. Sua saúde, a capacidade física e mental de seu corpo, é o que realmente interessa, e por isso devemos torcer. É óbvio que perder o maior expoente do nosso automobilismo atual seria muito ruim, dolorido para nós torcedores da Fórmula 1. É também claro que estarei torcendo para que volte, intacto e competitivo, o quanto antes possível.
Como disse no primeiro post, esse acidente foi uma grande fatalidade. Muitos fazem piadas diante do fato da peça ter saído do carro do Barrichello (sempre ele), o que não muda nada. Se computarmos percentualmente a possibilidade de uma peça como aquela mola bater exatamente o capacete, esta deve representar algo como 5% da área disponível de impacto (olhado um carro de frente). O mesmo para o acidente do Surtees, caso o pneu tocasse qualquer outro ponto que não o seu capacete, com certeza o piloto ainda estaria vivo.
Finalizando e mudando de assunto, para nós, que julgamos muitos e muito, segue uma entrevista interessante do Piquet (filho), falando sobre sua situação na F1, o estado de saúde de Massa, entre outros assuntos.
http://tazio.uol.com.br/f-1/textos/12322/
Massa, garoto, estamos contigo.
(Bernardo R C Guaritá)
Bezão, parabéns pelo texto...
ResponderExcluirNão é facil pensar no homem Felipe , antes de pensarmos no piloto Massa de nosssas expectativas.
Como pai , fico orgulhoso de ver vc pensar asssim...
Afinal estar no ultimo lugar do Bolão não é o fim do mundo, sendo seu Pai...ahhhahha
LUIZ NETO